sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Histórias para os netos I - África

Pra chegarmos logo à parte legal da história, vou ser rápido no começo. Em dezembro de 1993, quando ainda tinha 20 anos, embarquei para um intercâmbio de três meses na África do Sul. Lá, morei com uma família muito legal, os Schruaus-alguma-coisa, um nome que nunca consegui pronunciar nem soletrar, e tive a chance de conhecer um país que estava recém saído do apartheid, já presidido por Nelson Mandela.

Antes mesmo de embarcar, tinha comprado um pacote de quatro dias para um safári fotográfico em plena savana africana. Imaginava que seria o ponto alto da viagem e, de fato, estava certo. Foi mesmo cheio de altos. Altos mosquitos, altas temperaturas, altas saudades da civilização. Na van, dirigida pelo guia Gary Freeman (não dava pra esquecer esse sobrenome), conheci o grupo de estudantes, brasileiros que nem eu, que me acompanhariam naqueles dias. Éramos sete, três meninas e quatro meninos.

Eu havia visto fotos fantásticas de safáris, mostrando turistas em jipes maneiros e hotéis cinco estrelas no meio da selva. Estava todo empolgado, até perceber que o caminho que estávamos fazendo lembrava demais as trilhas para o Poço Azul. A ficha começou a cair e eu pensei que de fato, só com aquelas dezenas de dólares que eu havia investido, não ia conseguir acomodações luxuosas. Quando a van parou, vi uma cabaninha de pilastras de madeira sustentando uma lona preta e quatro barracas de lona verde, com camas de exército lá dentro, ardendo sob um sol dos infernos.

Confesso que me senti ridículo, lembrando do Protector Elétrico que tinha levado na mala e percebendo que a tomada mais próxima estava a quilômetros de distância. Depois, me senti azarado, quando descobrimos que o rio que passava pelo acampamento, e que tinha garantido a felicidade da turma da semana anterior, tinha secado, devido ao calor de lascar. Eu começava a calcular quantas horas faltavam pra eu me mandar dali, quando o guia anunciou a primeira expedição pelas matas ao redor do acampamento. E expedição em safári econômico significa andar em fila indiana, sem poder conversar, para não espantar os bichos das redondezas, olhando pro chão com medo de pisar num buraco ou numa cobra (vai saber?) e ficar dando tapas na própria nuca melada de suor pra espantar os mosquitos.

Confesso que tava tão de saco cheio que nem me emocionei quando o guia fez aquele gesto que qualquer um que já viu filmes de guerra sabe que significa parar, porque tem algo ali na frente. Lá longe, víamos um elefante. Macho, a gente descobriu, porque o guia não parou de brigar com as meninas que ficavam falando “olha a orelha, olha a tromba” e com os meninos rindo e repetindo, em tom safadinho, “tromba?”. “Se fosse uma fêmea com filhotes já teria nos atacado. Parem de falar agora”, dizia ele, tentando tirar da gente aquele jeito de adolescente no Simba Safári.

O sol mostrava que restava pouco mais de uma hora para anoitecer quando voltamos para o acampamento. Era hora de entender como funcionava o banho. O seu Freeman mostrou um balde de metal que tinha uma torneirinha acoplada ao fundo, pelo lado de fora. Tínhamos de encher o balde e levá-lo por uns 20 metros até o boxe – um biombo feito de tábuas que impedia que nos vissem pelados do acampamento. Lá, a gente pendurava o balde num gancho e puxava uma corda até o balde ficar acima da cabeça. Aí, era só abrir a torneira, se molhar, fechar a torneira. Passar sabão, abrir a torneira, se enxaguar, fechar a torneira. Olhando o sol se por, não vacilei e tão logo Gary perguntou quem queria ir primeiro, já fui catando o balde da mão dele.

Fiz tudo direitinho, como ele havia ensinado e, com o balde já posicionado sobre minha cabeça, comecei a tirar a roupa. Já tava sem camisa e descendo a bermuda quando ouço um “pou”... “pou”... “pou” atrás de mim. Virei e quase não acreditei no tamanho do elefante que vinha andando calmamente em minha direção. Esse tava perto e era gigante, igualzinho o da foto. Subi a bermuda e fiquei ali, olhando o bicho, enquanto ouvia a garotada toda correndo em nossa direção, felizes da vida. Pararam ao lado do boxe, respeitando minha possível nudez e o bicho vindo, com suas pegadas monstruosas – “pou”... “pou”... “pou”. Parecia que ele ia só passar por nós, assim, que nem transatlântico cruzando o mar lá distante, quando a gente ta na praia. Mas não. O bicho parou e deu uma viradinha de cabeça da qual nunca vou esquecer. Aluguem Parque dos Dinossauros e revejam a cena que o dino coloca a cabeça na janela, com aquele olhão assassino. Foi daquele jeito.

A viradinha de cabeça fez todo mundo gelar, mas ainda havia uma certa calma, porque Gary estava ali do nosso lado, aparentemente tranqüilo. Porém, o elefante resolveu dar uma bufada, tipo touro se preparando para investir contra o toureiro, e um passo em nossa direção. Não bastasse isso, o guia resolveu arregalar os olhos e engatilhar sua espingarda, apontando pro animal. A gritaria foi geral, assim como o princípio de correria. Nesse exato momento, me lembrei de que uma das instruções de Gary era a de jamais corrermos de um animal, mas ficarmos atrás dele, que andava armado e, logo, era a nossa única chance de proteção. Por isso, na melhor das intenções, gritei para todos “don´t run!, don´t run!”, assim mesmo, em inglês, mesmo que fossem todos brasileiros, porque o medo sempre faz a gente agir de forma um tanto tola.

Meu pedido causou um efeito “batatinha frita um dois três” na meninada e todos pararam nas exatas posições em que estavam, como corredores congelados. Agi com a melhor das intenções, mas cometi um grave erro, gravíssimo: ter gritado “don´t run” justamente enquanto eu mesmo, movido pelo pânico, corria desenfreado. O resultado foi que todos meus companheiros de safári me viram passar correndo por eles justamente depois de mandar o “don´t run”, o que gerou uma grave desconfiança sobre meu caráter. Afinal, pareceu que eu queria apenas ganhar vantagem para que o elefante os aniquilasse primeiro e assim me poupasse.

Não me perguntem o que aconteceu depois. Não sei. Só sei que nenhum tiro foi disparado e ninguém morreu. O elefante não nos atacou, mas eu estava muito longe pra ver o momento em que ele se virou e em que direção seguiu. O episódio serviu pra nos convencer de que aquilo era bem diferente do zoológico e tornou a viagem muito mais divertida. No dia seguinte, descobrimos que no acampamento, atrás da barraca de lona, havia um jipe maneiro e fizemos uns passeios refrescantes, com o vento nas nossas caras, em busca de animais selvagens. Vimos zebras, girafas, empalas, búfalos. Depois de quatro dias, voltei com dois filmes de fotos que mostram animais selvagens totalmente fora de foco, 37 picadas de pernilongo somente na mão esquerda e a certeza de que não nasci para ser biólogo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Traição, egoísmo e metamorfose rumo ao velho

Lobão fez as pazes com a grande mídia. Amanhã, sexta-feira, aparece mais uma vez na Globo, como principal atração do Som Brasil em homenagem a Raul Seixas. “Ressucitado” pelo acústico MTV, voltou a dar as caras no Faustão e afins e parece uma figura onipresente. Segunda passada, estava no Roda Viva, como um dos entrevistadores. Ontem, quando entrei no UOL, li a seguinte chamada na capa do portal: “Lobão: ‘o artista tem obrigação de trair’”. Ao clicar no link, era possível assistir a uma entrevista que Lobão deu a Clemente (Inocentes e Plebe Rude), dizendo que a obrigação do artista era trair, porque ele prefere “ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Eu tava achando que o episódio Lobão e os independentes, se ele foi um traíra ou não, havia passado. Mas o próprio músico parece que se esforça para não deixar o assunto morrer. Hoje, na coluna sobre televisão do Correio Braziliense, Lobão aparece dizendo que ficou muito feliz com o repertório que cantou para o especial da Globo. “São músicas que dizem aquilo que gostaria de falar pra muita gente”. No repertório está ‘Metamorfose ambulante’, a mesma que tem a frase que ele citou para justificar a traição. Bom, o próprio músico resolveu a questão. Ele é mesmo um traidor. E pelo jeito se orgulha disso.

E além de traidor, Lobão é egoísta. As palavras, de novo, são do próprio músico. Foram ditas à revista Rolling Stone, a que tem o Darth Vader na capa. Lá, Lobão disse que fez o que fez dentro do meio independente “por egoísmo”, para garantir o próprio espaço, quando precisava.

Dito isso, é possível iniciar uma reflexão sobre a sensação de traição que assolou parte dos músicos e produtores independentes. O que é compreensível. Por um momento, pareceu mesmo que Lobão estava do lado do meio independente contra o domínio forjado à base de grana e jabá das gravadoras. Agora, o lobo mostra que nunca esteve de outro lado que não o seu. Estava na verdade excluído das majors, na geladeira, e para não paralisar congelado buscou o calor efervescente do independente.

Mas que bom que fez isso. Tanto Lobão como o meio independente ganharam. O músico continuou tendo visibilidade e conseguiu continuar sua obra, lançando três discos. Nós, independentes, ganhamos porque a mídia, ainda presa a nomes do mainstream, considerava Lobão um cara digno de ser ouvido. E durante alguns anos, o que ele tinha para dizer era justamente sobre a existência do meio independente e de sua rica produção. Com Lobão precisando do meio independente, ele ajudou a fortalecê-lo.

Por isso, apesar de poder se sentir traído (afinal, o próprio músico se diz traidor), o meio independente não deve se sentir órfão. Se um dia Lobão, excluído das grandes gravadoras, achou abrigo no meio independente, é porque este está fortalecido, cada vez mais. Os independentes hoje têm uma força alcançada com trabalho e organização, possibilitada por novas tecnologias. E esse meio não precisa de uma ou outra figura específica para existir e continuar se desenvolvendo.

Isso significa, em outras palavras: vá em paz, Lobão. Mas, antes de me despedir, é preciso lembrar ao músico que, ao contrário do que ele tenta nos fazer acreditar, não é rumo ao novo que ele partiu quando decidiu dar essa nova guinada em sua carreira. É rumo ao velho que ele aponta. Em sua nova metamorfose, o músico conseguiu voltar a ter aquela velha opinião formada sobre tudo, a opinião forjada pela aliança com os velhos esquemas das gravadoras.

Um exemplo: se há alguns anos, era a criminalização do jabá sua principal preocupação (porque isso ajudaria a diminuir a barreira que impede os artistas independentes de chegar ao público), hoje seu discurso se volta para a redução do preço dos discos. Outro exemplo: no Roda Viva, chegou a falar mal de quem baixa música de graça na rede... Conveniente para ele, que agora tem suas músicas “trabalhadas” nas rádios e só quer mesmo vender mais discos, financiados pelos velhos executivos que pagam jabá às rádio.

Quando o Som Brasil for ao ar amanhã, homenageando Raul Seixas, o programa terá como principal atração um músico que conseguiu trazer uma nova leitura à letra de ‘Metamorfose ambulante’. A de que nem sempre a mudança é para algo novo. Um belo feito. Parabéns, Lobão.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Astronauta em Brasília

Um vídeo indicado pelo Olímpio. Parece mesmo a estranha imagem que tive quando li a entrevista que Clarice Lispector fez com Oscar Niemeyer, da qual falei ali embaixo, no post 'E você sempre vê apartamentos acesos'!

Abração, Olímpio.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Entrevista com Dona Nita

Hoje minha vó Ana faz 95 anos. Por isso, é Dona Nita quem estréia o espaço de entrevistas do blog. Acanhada, só quis responder algumas perguntas sobre a vida, a família, suas lembranças e o amor.

Vó, quantos anos a senhora tá fazendo hoje?
95.

E é bom ou ruim?
É bom. Acho que passei bem o tempo.

E o que é o melhor em fazer 95, vó?
Ah, acho que a gente viver bem com a família, estarmos todos juntos.

E qual a melhor lembrança que a senhora tem? Consegue pensar em alguma?
Tenho muitas lembranças boas. Acho que quando meu filho mais velho fez aniversário [de um ano]. Foi muito bom. E depois vieram os outros filhos. Todos foram muito bons também. Viveram bem. Acho que isso é que vale.

E, vó, o que a senhora acha que é a coisa mais importante na vida?
Acho que é viver bem, ser honesto, trabalhador, não depender dos outros.

Vó, a senhora sabe me dizer o que é o amor?
Amor é muito bom. A gente depende do amor pra viver.

E vó, que mensagem a senhora queria mandar pra sua família hoje, que a senhora faz 95 anos?
Que estejam bem, com saúde. Que sejam trabalhadores. Que convivam com a família e com as outras pessoas com amor. Acho que isso é que vale.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O beijo no gramado

Foi só uma comemoração dessas que os jogadores de futebol adoram fazer, mas o resultado foi o mesmo do famoso beijo criado por Nelson Rodrigues. Depois de marcar seu primeiro gol com a camisa do São Paulo, o atacante Richarlyson se uniu a outros dois companheiros de time e mandou ver nos passos de uma coreografia funk. Pôs as mãos nos joelhos e balançou os quadris, primeiro para a esquerda, depois para a direita. Os outros dois jogadores fizeram a mesma coisa, mas Richarlyson ultrapassou um limite não permitido aos machos latinos: dançou bem demais. Enquanto os companheiros demonstraram toda a falta de gingado esperada dos homens-que-são-homens-mesmo, Richarlyson mostrou uma destreza que poderia ser simplesmente admirável. Mas foi seu pecado.

Apesar de não ter beijado nenhum homem na frente de todos, como faz Arandir, em O Beijo no Asfalto, Richarlyson se tornou vítima da mesma perseguição que Nelson Rodrigues imaginou para seu personagem. Assim como acontece na peça, o jogador acabou julgado pela mídia e enfrentando problemas na justiça só porque agiu de uma maneira como os outros acham que um homem não deveria agir e, assim, foi “acusado” (e o tom é mesmo de acusação!) de ser gay.

Se na peça há o jornalista sensacionalista, que quer vender mais jornal, no “caso Richarlyson” entram os comentaristas de mesa redonda (que ficam tentando descobrir se é verdadeiro o boato de que um jogador irá assumir sua homossexualidade), os dirigentes de clube de futebol (com suas asneiras pronunciadas na televisão) e os “idiotas” da Internet (que mais uma vez mostram o quanto são mesmo idiotas e inventam piadas e vídeos que conseguem ser tão tristes quanto preconceituosos). Se na ficção existe o delegado que quer se promover, na vida real aparece o juiz infeliz que aproveita uma sentença para desrespeitar o jogador e ofender a homossexuais e negros.

E aí a tragédia brasileira está pronta para ser novamente encenada. Uma tragédia deprimente, na qual a velha mania de julgar os outros pela aparência parecem não ter fim. Na qual só existe espaço para a visão estreita que não admite outras formas de ser homem a não ser a do heterossexual contido e reprimido nos seus gestos, de fala grossa e viril, que não “exagera” na hora de demonstrar alegria ou tristeza, medo ou empolgação.

O que a história envolvendo o jogador do São Paulo mostra não é só o medo (e só pode ser medo) que o brasileiro ainda sente dos homossexuais. O caso deixa evidente também o quanto somos presos a uma idéia restrita e pequena do que é ser homem. Na verdade, pouco importa se Richarlyson é gay ou não. Pois a primeira acusação feita a ele foi a de ser não-homem, a de agir em desacordo com o que se espera de um “homem”.

Por isso, deixo a ele minhas felicitações. Porque esse modelo de homem que nos impõem desde que nascemos aqui no Brasil, e que ele desafiou, é um dos mais ridículos que poderia existir. Ser “homem” no Brasil é triste. É patético. E nessa história toda, o único que não tem sido patético é Richarlyson, como mostrou domingo passado no Fantástico, concluindo sua entrevista com um desejo que deveria ser o de todos nós: “Que as pessoas possam viver da maneira que se sintam bem e que as outras tenham a consciência de que cada um tem o direito de viver a sua vida da maneira que ache melhor”.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Visitando a cena

Pra quem não viu, taí embaixo a matéria do Programa Trama Virtual, do Multishow...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O novo rock de Brasília na TV

Quem não viu ontem (que nem eu) o programa Trama Virtual, no Multishow, pode conferir durante a semana a matéria sobre o novo rock de Brasília, com participação minha e de tantas outras bandas legais daqui, como Prot(o), Bois de Gerião, Lucy and the Popsonics, Móveis Coloniais de Acaju, Superquadra e mais.

Não sei o que entrou na edição, mas lembro de ter dito uma coisa que é verdade: a de que adoro fazer parte dessa cena tão ampla que tem em Brasília e de como artistas daqui influenciam meu trabalho. Além das bandas que foram convidadas para participar, fiz questão de citar outras quatro que adoro: Phonopop, Disco Alto, Suíte Super Luxo e Watson.

Com exceção do Suíte Super Luxo, já toquei músicas de todas essas bandas em alguns shows. E quando rolou um projeto do programa Cult 22 no qual podíamos escolher uma música de Brasília, de qualquer tempo, para gravarmos, escolhi ‘Eu quero envelhecer’, do Watson, belíssima. Ouçam ela ali embaixo.

O programa Trama Virtual vai ao ar ainda nos seguintes dias e horários, no canal 42 da Net: terça, à 1h e às 12h30; quinta, às 14h; e domingo, às 3h30. O primeiro já é nessa madrugada! Ah, e por favor ignorem a cara medonha com a qual devo aparecer. É que acordei em cima da hora pra entrevista e não deu tempo de lavar a cabeça, nem de fazer a barba nem de desinchar a cara... Foi mal aí.

Eu quero envelhecer (Watson)

Insisto em aplicar
A esses sons um tom amargo
Eu nem sei por quê

Qualquer desilusão
Traz doze meses mal amados
Eu nem sei por quê

Merda nenhuma salva!

Eu quero enlhecer
Quero te esquecer
Quero enxergar bem mal
Bem mal

Quero pedalar
A bicicleta mais usada
Ventos vão correr

Que a morte me espere
Sem que eu espere mais por ela
Eu nem sei morrer